PGR pede condenação de réus que espalhavam mentiras contra sistema eleitoral

Acusação ao STF aponta grupo por desinformação para manter Bolsonaro no poder

Por Dominic Ferreira,

A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) as alegações finais contra o grupo 4 da tentativa de golpe de Estado, pedindo a condenação dos réus que disseminaram informações falsas sobre as urnas eletrônicas nas redes sociais. A atuação do grupo, conforme a PGR, fazia parte de uma estratégia para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, enfraquecendo as instituições democráticas.

Foto: Isac Nóbrega/PRMinistro da Casa Civil, Walter Braga Netto (03.abr.2020)
Walter Braga Netto.

Os sete réus acusados incluem militares da reserva, um policial federal e o presidente do Instituto Voto Legal. Eles são responsabilizados pela produção e divulgação de notícias falsas, ataques virtuais a autoridades e pelo incentivo à participação em atos antidemocráticos entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. Parte deles estava ligada à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), cuja estrutura teria sido usada para a prática dos crimes.

Em um documento de 193 páginas, o procurador-geral Paulo Gonet ressaltou que o grupo atuou de forma coordenada com o núcleo central da organização criminosa, visando promover instabilidade social e ruptura institucional. A PGR destacou que o material desinformativo era repassado a influenciadores digitais, que amplificavam as fake news sobre o processo eleitoral, gerando ataques virtuais contra instituições e autoridades.

A acusação ainda aponta que o ex-ministro da Casa Civil, general Braga Netto, teria coordenado a atuação do grupo, orientando campanhas ofensivas contra militares contrários ao golpe. Após as alegações finais da PGR, o STF abrirá prazo para a defesa, e o relator Alexandre de Moraes deve incluir o caso na pauta de julgamentos, que envolve um total de 31 réus divididos em quatro núcleos para facilitar a tramitação.

Fonte: Correio Braziliense

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