STF ainda julgará quatro núcleos de acusados em trama de tentativa de golpe
Após condenar Bolsonaro e aliados, Corte deve analisar réus que atuaram em frentes distintas
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus nesta quinta-feira (11) marcou apenas o início do julgamento da acusação de tentativa de golpe apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O Supremo Tribunal Federal (STF) analisou nesta primeira fase o chamado “núcleo crucial” da denúncia, considerado o centro da articulação. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, e os demais acusados também receberam penas significativas.
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No entanto, o processo ainda envolve mais de 20 réus distribuídos em quatro núcleos diferentes, cada um com funções específicas na suposta trama. O núcleo 2, por exemplo, teria coordenado ações como a elaboração de minutas golpistas e o uso da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para dificultar a chegada de eleitores em regiões favoráveis a Lula. Já o núcleo 3, formado por militares de alta patente e um policial federal, teria monitorado autoridades e articulado pressões para mobilizar setores das Forças Armadas.
Outro grupo, o núcleo 4, seria responsável pela propagação de desinformação, com ataques virtuais a autoridades e instituições, além do uso da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar opositores. Todos os sete denunciados desse grupo já foram tornados réus em maio. Por fim, o núcleo 5 reúne apenas o empresário Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo, que ainda não foi julgado em razão de residir nos Estados Unidos, o que atrasou os trâmites processuais.
Com isso, embora a primeira condenação seja vista como emblemática, o julgamento da tentativa de golpe ainda está longe de ser concluído. Os núcleos 2, 3 e 4 encontram-se atualmente na fase das alegações finais, etapa em que PGR e defesa apresentam seus argumentos. Só depois dessa etapa, o relator Alexandre de Moraes poderá liberar os processos para análise da Primeira Turma do STF, que decidirá sobre a responsabilidade penal dos demais acusados.
Fonte: Correio Braziliense