Bolsonaro é preso pela PF em Brasília após decisão de Alexandre de Moraes
PF aponta risco de fuga; violação da tornozeleira e convocação de vigília pesaram na nova ordem de prisão
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22), em Brasília, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF) e não está relacionada à condenação de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, que ainda aguarda julgamento definitivo. Trata-se de uma medida cautelar.
Segundo Moraes, a prisão foi decretada depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou uma vigília em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar, na noite de sexta-feira (21). O ministro afirmou que a mobilização poderia servir para atrapalhar a fiscalização das medidas judiciais.
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A decisão também mencionou risco elevado de fuga. À 0h08 deste sábado, o Centro de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou ao STF a violação da tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro. Moraes escreveu que, durante a investigação que levou à condenação, o ex-presidente teria planejado buscar asilo na embaixada da Argentina.
O ministro destacou ainda que o condomínio de Bolsonaro está a cerca de 13 quilômetros do Setor de Embaixadas Sul — distância que, segundo ele, pode ser percorrida “em menos de 15 minutos de carro”, o que aumentaria o risco de evasão.
A decisão cita ainda que parlamentares aliados — Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro — deixaram o país para evitar medidas judiciais, reforçando a avaliação de risco.
Bolsonaro foi detido por volta das 6h e levado para a Superintendência da PF no Distrito Federal. Após procedimentos iniciais, passou por exame de corpo de delito dentro da própria unidade, para evitar exposição. Ele ficará em uma “Sala de Estado”, espaço destinado a ex-autoridades.
A defesa afirmou que, até as 6h40, ainda não havia sido notificada da ordem de prisão. Na sexta-feira (21), os advogados haviam pedido prisão domiciliar humanitária, alegando quadro clínico grave e comorbidades.
A PF confirmou o cumprimento do mandado e informou que seguirá com os procedimentos cabíveis.
Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, após determinação de Moraes por descumprir medidas cautelares, incluindo o uso de redes sociais de aliados para atacar instituições e incitar desobediência a decisões judiciais.
A prisão preventiva não tem prazo determinado e deve ser reavaliada periodicamente pelo STF.
Fonte: Portal AZ