Fraude em FII leva CVM a multar Vorcaro e mais 15

CVM aplica R$ 203 mi em multas por fraude com FII

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) impôs pesadas multas a um grupo de 16 réus, incluindo o banqueiro Daniel Vorcaro e seus familiares, após julgá-los culpados por fraudes envolvendo cotas de um fundo de investimento imobiliário (FII). As penalidades variam entre R$ 5 milhões e R$ 24 milhões, totalizando R$ 203 milhões.

O esquema ilícito girava em torno da 3ª emissão de cotas do Brazil Realty FII, iniciada em outubro de 2018. A acusação sustenta que ativos foram superavaliados para integralizar cotas do fundo, o que conferiu liquidez aos mesmos. Posteriormente, essas cotas foram vendidas a outros fundos de investimento, permitindo a conversão dos ativos em recursos financeiros.

Entre os condenados estão Daniel e Henrique Vorcaro, multados em R$ 20 milhões cada. O Banco Master foi penalizado em R$ 12,5 milhões, enquanto a Viking Participações recebeu uma multa de R$ 10 milhões. Felipe Vorcaro foi multado em R$ 5 milhões devido aos seus bons antecedentes. A maior multa foi aplicada à Índigo/Sefer Investimentos, no valor de R$ 24 milhões.

Relações suspeitas

A investigação revelou que as empresas investidas pelo fundo tinham ligações com os próprios cotistas, sugerindo um mecanismo de transferência de recursos entre eles. No mercado secundário, fundos compraram as cotas superavaliadas e absorveram prejuízos significativos, que somaram R$ 5,8 milhões.

Otto Lobo, presidente da CVM, enfatizou a necessidade de uma supervisão mais eficaz e em tempo real do mercado para evitar tais esquemas fraudulentos. O processo iniciado em 2020 foi suspenso duas vezes para pedidos de vista antes do julgamento final.

Julgamento controverso

João Accioly, diretor relator do caso, destacou que o parentesco entre os réus não era o cerne da acusação. Ele comparou a defesa dos acusados a uma situação onde um assaltante reclama do custo do táxi para realizar o roubo: "Alegar perda nominal enquanto outros veículos lucram é inconsistente", afirmou.

Os réus não responderam aos contatos até o fechamento desta reportagem.

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